Notícias

21/07/2011

Imposto pesa mais do que roupa

Os impostos pesam mais no bolso das famílias brasileiras do que gastos essenciais com roupa, alimentação e medicamentos. Estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), com base nas duas últimas Pesquisas de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a arrecadação com tributos diretos (IPTU, IPVA, ISS e IR) cresceu 8% entre janeiro de 2002 e dezembro de 2008 e sugou R$ 7,77 bilhões por mês do orçamento dos brasileiros.

“O valor supera as despesas importantes do orçamento familiar. Em 2010, descontada a inflação, o trabalhador desembolsou R$ 7,5 bilhões por mês com vestuário, R$ 4,8 bilhões com remédios e R$ 4,5 bilhões com educação”, explicou Guilherme Dietze, assessor econômico da Fecomercio.

Apesar do aumento do emprego e da renda, que levou 30 milhões de cidadãos ao mercado de consumo, quem tirou a maior vantagem da mobilidade social, segundo Dietze, foi o governo. “Mesmo com a ampliação da base de contribuintes, o governo não reduziu a carga tributária. O dinheiro a mais que entrou nos cofres públicos foi para cobrir gastos com a máquina pública, não para melhorar, por exemplo, as condições das estradas com o que recolheu de IPVA”, assinalou.

A pesquisa aponta que as famílias da classe A gastaram, em média, R$ 1.555,28 por mês com o pagamento de tributos. As da classe B desembolsaram R$ 334,00 mensais, seguindo-se as camadas C (R$ 103,48), D (R$ 41,44) e E (R$ 14,27).

Jorge Lobão, consultor do Centro de Orientação Fiscal (Cenofisco), lembra que as alíquotas de IPI e ICMS (que oneram em cerca de 30% o valor dos produtos) permaneceram fixas, enquanto os preços subiram.

Além dos impostos diretos, o trabalhador ainda arca com os impostos indiretos como PIS e Cofins, que são embutidos nos preços das mercadorias. “O brasileiro trabalha quatro meses para pagar impostos, ou seja, 33% de tudo o que ganha no ano”, afirmou. E não há perspectiva de melhora a curto prazo, sem que sejam feitas reformas política e tributária. “Teríamos que convocar uma constituinte para redistribuir os impostos”, destacou Lobão.

Em Brasília
O gasto mensal das famílias do Distrito Federal com tributos diretos foi o maior do Brasil. Segundo a pesquisa da Fecomercio-SP, os brasilienses desembolsaram R$ 366 por mês. O Rio de Janeiro ficou em segundo lugar, com R$ 273, seguido de Santa Catarina (R$ 177), São Paulo (R$ 176) e Amapá (R$ 146). No total, de 2002 a 2008, pessoas das classes A, B, C, D e E gastaram por mês R$ 3,43 bilhões, R$ 2,4 bilhões, R$ 920 milhões, R$ 705,19 milhões e R$ 322,01 milhões, respectivamente. Apenas as famílias da classe A de São Paulo, maior arrecadação do país, desembolsaram R$ 895,52 milhões em 2008, despesa superior à de todas as famílias do país com arroz naquele ano (R$ 864 milhões).

Famílias estão endividadas
As dívidas com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de loja, empréstimo pessoal, prestações de carro e seguro comprometeram em julho 63,5% da renda das famílias. Foi o que mostrou pesquisa feita pela Confederação Nacional do Comércio. Houve recuo em comparação aos 64,1% registrados em junho. Mas a parcela das famílias que acredita ter endividamento muito alto voltou a subir, alcançando 17,8%, o maior nível da série histórica iniciada em janeiro de 2010. Também aumentou o percentual de famílias com dívidas em atraso, que atingiu 23,7% em julho, acima dos 23,3% do mês anterior.

Fonte: Correio Braziliense