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06/03/2015

Mulheres do Fisco esbanjam talento

Pioneiras e novas servidoras têm em comum a dupla jornada. Elas constituem quase 42% do universo de filiados ao Sindicato dos Servidores do Fisco Estadual do Pará (Sindifisco-PA). São 429 mulheres sindicalizadas, sendo 230 auditoras e fiscais ativas e 199 aposentadas e pensionistas. No último concurso público realizado em 2014 para preencher os cargos de auditores e fiscais de receitas do Estado, mais 17 mulheres entraram nas carreiras do Fisco, reforçando a força do trabalho das mulheres na Secretaria da Fazenda (Sefa).

Na história do Fisco do Pará, elas sempre estiveram presentes em todas as frentes da ação tributária, seja nas fronteiras, plantões, cargos de confiança e no comando da fazenda. As mulheres do Fisco se desdobram entre a família, maridos, especializações, projetos individuais, feminilidade e muito trabalho em prol da sociedade paraense. O presidente do Sindifisco, Antônio Catete, e todos os diretores da entidade aproveitam a data alusiva ao Dia Internacional da Mulher para homenagear a todas elas.

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Graça, Naima, Sandra e Kelly: as mulheres são mais de 40% dos associados do Sindifisco

Fundadoras

Mulheres como a auditora Graça Sampaio colaboraram na solidificação do espaço feminino na Secretaria da Fazenda e no movimento sindical. Ela é uma das fundadoras do sindicato, em 1992, e desde então contribui para fortalecer os servidores das Carreiras da Administração Tributária (CAT), como tecnicamente é a nomenclatura do Fisco.

“Além de mim outras mulheres participaram da fundação do sindicato. Na época, a Associação [Associação dos Servidores do Fisco Estadual do Pará (Asfepa)] havia perdido a representatividade e nós precisávamos ter um sindicato. Articulamos, patrocinamos, reunimos para conversar sobre nossas demandas”, relembra. “Não havia diferença de tratamento nos debates políticos”.

A fiscal de receitas Sandra Leão também participou desse momento histórico e recorda com orgulho como foi importante o passo dado para a fundação do sindicato. “Éramos todos muito jovens. Estávamos ainda criando consciência do que realmente significava uma categoria. A maior dificuldade encontrada no percurso foi sensibilizar e mobilizar os colegas para aderirem à ideia do sindicato. Acredito que valeu a pena, se fosse jovem e fosse aquele cenário eu faria tudo de novo”, confessa.

Mães

Aprovada no concurso público do ano passado, a auditora Kelly Leal está ingressando agora numa rotina vivenciada por muitas mulheres: dividir-se entre o trabalho e a maternidade. A descoberta de que será mãe é muito recente. Mas Kelly faz parte de uma geração de mulheres que foi preparada para a dupla jornada, contrariando passado não tão distante, quando não se dedicar integralmente ao lar equivalia a ato de transgressão feminina às regras sociais. Esse tempo, felizmente, passou.

“Fui criada para trabalhar e estudar. Trabalho desde os 19 anos. Sempre tive o sonho de ser aprovada em um concurso público como de auditora de receitas estaduais. Alcancei meu objetivo. Na minha vida, tudo foi planejado. Por isso, creio que fica mais fácil administrar as tarefas e o tempo. Mas acho que não deve ser nada fácil conciliar o papel de mãe com tantos outros que a mulher atual tem. A mulher se adapta. Parece que a natureza já nos cria com essa característica”, observa Kelly.

Também aprovada no concurso de 2014, a fiscal Naima Cavaleiro de Macêdo está na divisa do Pará com o Maranhão, lotada no Gurupi.  Apesar das dificuldades enfrentadas por trabalhar numa unidade no interior e que funciona em regime de plantão, ela diz que a mulher leva leveza e eficiência ao local de trabalho. “Eu tenho consciência que, apesar dos problemas estruturais existentes onde a Sefa precisa atuar, o contribuinte deve ser atendido da melhor maneira possível. Nosso trabalho é atender com eficiência e justiça fiscal”, ensina.