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08/03/2013

MULHERES DO FISCO SIMBOLIZAM O AMOR AO PARAENSE E A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

Instituído no início do século XX, o 8 de março, dedicado ao Dia Internacional da Mulher, passou um tempo à sombra e somente foi resgatado pelas feministas na década de 1960. Fato marcante que projetou a data, o incêndio na fábrica da Triangle Shirtwaist, nos Estados Unidos, matou 146 trabalhadoras depois de uma série de manifestações. De lá para cá, a mulher obteve muitas vitórias sociais. No Brasil, ocupa até o cargo político máximo: a presidência da República. No Fisco estadual não é diferente: as mulheres venceram na carreira. Hoje, elas são 383 servidoras, sendo 216 ativas e 167 aposentadas.
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As servidoras públicas do Fisco têm, em sua maioria, um modo de vida que a sociedade contemporânea conceitua como “jornada tripla”: trabalham fora, cuidam da casa e dos filhos e ainda desenvolvem projetos com o tempo que lhes resta. Dentre tantos exemplos femininos, o Sindicato dos Servidores do Fisco Estadual do Pará (Sindifisco) elegeu este ano três mulheres para homenagear: Ana Suely, Maria Esteves e Glória Marvão – que têm em comum a força feminina, o amor pelo próximo e a agenda lotada.
 

SUELY
Ana Suely, hoje com 55 anos, foi a primeira mulher a presidir o sindicato. Foi vereadora de Belém e hoje integra a diretoria da coordenação estadual executiva do Partido dos Trabalhadores (PT). Esta entrevista foi feita por telefone devido ao tempo escasso da homenageada. Hoje, Suely é lotada na Cerat Marituba e tem que administrar a distância entre trabalho, casa e comitês políticos.
 
A ex-presidente do sindicato foi aprovada auditora fiscal no concurso de 1993. Como a relação com o movimento sindical era antiga – Suely atuou por 10 anos no sindicato do INSS -, assim que entrou na Secretaria da Fazenda filiou-se no Sindifisco e não precisou de muito tempo para se projetar como representante da categoria e, em 1997, ser eleita.
 
Para Suely, muita coisa já mudou em relação às mulheres, mas ainda há muito mais para ser modificado. “Percebo que muita coisa está mudando, mas a mudança de fato só ocorrerá se homens e mulheres mudarem a mentalidade”, observa.
Mãe de dois filhos e avó de uma menina, Suely é uma mulher política. “Eu não abro mão da militância política. Eu entendo que esse é um instrumento de transformação na sociedade. A política é um desafio, mas ser mulher política é sem dúvida um desafio maior. As mulheres têm que abrir mão de uma série de coisa para ser militante.” afirma.
 
GLÓRIA
 
Nossa segunda homenageada também precisou apertar a agenda para receber a repórter Roberta Brandão, da Comunicação do Sindifisco-PA. Em meio à mudança de casa, a aposentada Glória Marvão contou um pouco da trajetória iniciada na Sefa em 1976, como escrevente datilógrafa, até passar em concurso público para o cargo de fiscal de receitas. No começo, diz, nunca sentiu preconceito ou machismo por parte dos colegas, mas ela lembra que alguns contribuintes não queriam tratar de problemas empresariais com uma mulher.
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Glória foi lotada na agência da Sefa em Abaetetuba e só podia se ausentar nos finais de semana para ver o filho, portador de necessidades especiais (então com 4 anos; hoje tem 31), que tanto precisava de cuidados. “Foi um período muito forte. Era pesado, às vezes ele estava doente. Eu tinha que ir trabalhar. Mas eu acho que toda essa situação faz a gente perceber o quanto somos capazes e ver que mulher não é diferente, que damos conta. Mas eu também tive apoio da minha família, em especial minhas irmãs que são supermulheres”.

 
MARIA ESTEVES
 
Nossa terceira entrevistada tem 83 anos. Não se engane com sua agenda. O tempo é corrido. A entrevista aconteceu na sede da Associação do Voluntariado de Apoio a Oncologia (Avao), ao lado do Hospital  Ophir Loyola. Ao chegar à entidade, Maria Esteves estava fazendo alguma tarefa. Lá vem ela, sorridente, descendo a escada.
 
Depois de mostrar todo o prédio e de subir e descer tantos degraus, me conta orgulhosa os feitos da organização opcionalmente não governamental – que ela integra há mais de 20 anos. A ong atende a pacientes e acompanhantes em tratamento contra o câncer no hospital. Além da alimentação diária, a Avao cede material de higiene, roupas, fraldas descartáveis, atendimento odontológico e o carinho das voluntárias.
Maria sempre foi voluntária de organizações sociais, mesmo quando ainda trabalhava. Realizava os trabalhos voluntários no fim de semana. Mas foi após a aposentadoria que pode se dedicar por completo à organização que conheceu através de anúncio de jornal. Mesmo criando dois sobrinhos e cuidando da tia, a aposentada abraçou a causa. Ajuda de todas as formas na organização

Fiscal de Receitas Estaduais, ela entrou na Sefa quando a secretaria ainda era chamada Recebedoria de Renda do Estado, em 1951.

 
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Na Avao, o trabalho dela é reconhecido pelos pacientes. “O coração dela é maravilhoso; que nem ela existe poucas. Deixar sua casa, sua família para ajudar os outros é muito bom”, testemunha a paciente Maria do Nascimento, que hoje apenas controla a doença. Emocionada, Maria Esteves diz que ajudar o próximo é exercer humanidade. “Se Deus me botou no mundo não foi pra viver uma vida qualquer, sem uma direção, sem olhar pros lados”, diz ela, convicta.

Maria, Glória, Suely poderiam ser tantas outras com histórias tão emocionantes quanto. O Fisco está repleto delas. O mundo está repleto delas. Mas o importante é perceber que ser mulher na sociedade é uma desafiadora tarefa e uma das belezas femininas está em colaborar para um mundo melhor.
 
Nesta data, o sindicato homenageia todas as mulheres. Confira também este vídeo clicando no link abaixo: