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05/08/2020

Oito medidas para enfrentar a crise

À Rede CBN Amazônia, Charles Alcantara explicou as propostas das entidades do Fisco.

O Brasil pode arrecadar cerca de R$ 292 bilhões para enfrentar a crise econômica provocada pela pandemia do novo coronavírus. E a receita para conseguir isso está no documento “Tributar os super-ricos para reconstruir o país”, elaborado pela Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco) e outras entidades parceiras.

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“Esse recurso será importante nesse momento em que as pessoas precisam de mais proteção do Estado. E, nessas horas, quem resolve é o Estado e não o mercado”, disse Charles Alcantara, presidente da Fenafisco e também do Sindicato do Fisco Estadual do Pará, Charles, durante entrevista para a rede CBN Amazônia na manhã desta quarta-feira (05).
Ele explicou que para arrecadar os bilhões para reerguer o país é necessário a implementação de oito propostas tributárias que estão contidas no documento. A principal diz respeito a uma nova tabela para o Imposto de Renda que geraria uma arrecadação de R$ 158 bilhões. Segundo Alcantara, a proposta é isentar do pagamento aqueles cujo rendimento gira em torno de até três salários mínimos, reduzir a carga para quem tem renda mensal de até R$ 8 mil e aumentar para as pessoas que têm uma renda mensal acima de R$ 40 mil.
Outra medida citada por ele foi a criação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF) que alcançaria apenas cerca de 60 mil pessoas que possuem patrimônio acima de R$ 10 milhões.
O documento prevê também mais recursos da receita total da União para fortalecer os estados e municípios que, na opinião de Alcantara, são quem na verdade lideram a luta contra o coronavírus. Pela proposta os estados podem repartir R$ 86 bilhões por ano, cabendo R$ 56 bilhões aos municípios.
Alcântara observou que tem gente lucrando muito mesmo durante a pandemia e citou uma pesquisa divulgada recentemente pela ONG Oxfam Brasil que aponta que os super-ricos brasileiros tiveram um lucro de R$ 177 bilhões nos últimos cinco meses, quantia bem maior do que toda a verba anual do Sistema Único de Saúde (R$ 160 bilhões) e da Bolsa Família (R$ 30 bilhões), programa que beneficia 40 milhões de pessoas.
“Os bilionários brasileiros contribuem muito pouco e não são solidários”, revelou.